Jovens no município de São Paulo: explorando as relações de vizinhança

Renata Mirandola Bichir, Haroldo da Gama Torres, Maria Paula Ferreira

Resumo


O objetivo desse artigo é testar a hipótese de acúmulo de indicadores negativos nas áreas periféricas do município de São Paulo, abordando alguns tipos de riscos sociais que incidem sobre indivíduos jovens, como desemprego, violência urbana, baixo nível educacional e gravidez na adolescência. Para tanto, são utilizados métodos de estatística espacial e as áreas de ponderação da amostra do Censo Demográfico (IBGE, 2000). Ao contrário da visão bastante difundida, os resultados apontam, de modo geral, para a questão da heterogeneidade da periferia, ou seja, para a não-sobreposição espacial de diversos riscos considerados. Desse modo, os resultados indicam a complexa estruturação dos riscos sociais em municípios como São Paulo, o que tem importantes conseqüências para o planejamento de políticas públicas.

 


Palavras-chave


riscos sociais; segregação; políticas sociais; juventude.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22296/2317-1529.2004v6n2p53

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