Grupos sócio-espaciais ou a quem serve a assessoria técnica | Socio-spatial groups or whom technical advisory practice serves

Silke Kapp

Resumo


 

O conceito de grupo sócio-espacial proposto neste artigo visa à reflexão crítica de pesquisas e práticas de assessoria técnica em Arquitetura, Urbanismo e Planejamento. Ele designa grupos para os quais o espaço é constitutivo e que, inversamente, constituem (produzem) espaço. Parte-se da premissa de que a assessoria técnica – à diferença do assistencialismo – deve fortalecer a autonomia desses grupos. O primeiro item explica o contexto da discussão e a diferença entre noções e conceitos (teóricos). O segundo, argumenta o porquê de a assessoria técnica precisar ultrapassar noções como cliente, usuário, beneficiário ou comunidade. O terceiro, explora abordagens de grupos sociais pela sociologia, para mostrar que o conceito de grupos sócio-espaciais não é tautológico nem apenas incremental. O último item exemplifica e sintetiza abordagens de assessorias técnicas que trabalham, refletidamente, com grupos sócio-espaciais, isto é, que dispõem de um conceito para compreender e discutir a quem elas servem.

  

Palavras-chave


Assessoria técnica; Grupo social; Pesquisa sócio-espacial; Autonomia; Produção do espaço.

Referências


ADORNO, Theodor. Negative Dialektik. Frankfurt/M: Suhrkamp, [1966] 1990.

ALBERTI, Leon Battista Alberti. On the Art of Building in Ten Books. Cambrigde, Massachussets: MIT Press, [1450] 1988.

BLACKSHAW, Tony. Key concepts in community studies. London: Sage, 2010.

BRANDÃO, Francisco de Assis da Silva. Curso de urbanismo do professor Gaston Bardet. Revista da Escola de Arquitetura da UMG, n.156, p. 156–160, (impresso) 1956.

BRASIL. Lei no 11.888, de 24 de dezembro de 2008. Assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social e altera a Lei no 11.124, de 16 de junho de 2005. Diário Oficial da União, Seção 1, 26/12/2008, p. 2. Disponível em: http://www2. camara.leg.br/legin/fed/lei/2008/lei-11888-24-dezembro-2008-585074-norma-pl.html. Acesso em: 03/03/2018.

DURHAM, Eunice Ribeiro. A Dinâmica da Cultura: ensaios de antropologia. São Paulo: Cosacnaify, 2004.

EINSTEIN, Albert. Vorwort. In: JAMMER, Max. Das Problem des Raumes. Darmstadt, 1960.

EISENMAN, Peter. Notes on Conceptual Architecture: Towards a Definition. Design Quarterly, n.78/79, p. 1–5, 1970.

FILARETE (Antonio Pietro Averlino). Filarete's treatise on architecture. New Haven: Yale University Press, 1965.

FIRTH, Raymond. We, The Tikopia. A sociological study of kinship in primitive Polynesia. London: Allen & Unwin, 1936.

FIRTH, Raymond. Primitive Polynesian Economy. London: Routledge, 1939.

FIRTH, Raymond. The Work of the Gods in Tikopia. Melbourne: Melbourne University Press, 1940.

FOOTE WHITE, William. Street Corner Society: The social structure of an Italian Slum.

Chicago: University of Chicago Press, 1943.

HATCH, D. L. Changes in the Structure and Function of a Rural New England Community since 1900. Harvard University, 1948 (Tese de Doutorado).

HALBWACHS, Maurice. Morphologie Sociale. Paris: Armand Colin, 1938.

HARVEY, David. Space as a Key Word. Paper for Marx and Philosophy Conference, Institute of Education, London, 2004. Disponível em: http://www.frontdeskapparatus. com/files/harvey2004.pdf. Acesso em: 03/03/2018.

HARVEY, David. The right to the city. New Left Review, n.53, p. 23–40, 2008. Disponível em: https://newleftreview.org/II/53/david-harvey-the-right-to-the-city. Acesso em: 03/03/2018.

HOMANS, George C. The Human Group. New Brunswick; London: Transactions, [1951] 2004.

HORKHEIMER, Max. Teoria tradicional e teoria crítica [1937]. In: HORKHEIMER, Max; ADORNO, Theodor. Textos Escolhidos. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

ILLICH, Ivan. Needs. Manuscrito inédito. Bremen, 1990.

JAISSON, M. Temps et espace chez Maurice Halbwachs. Revue d’Histoire des Sciences Humaines, n.1, p. 163–178, (impresso) 1999.

JAMESON, Fredric. Postmodernism or The Cultural Logic of Late Capitalism. London: Verso, 1991.

KAPP, Silke. Direito ao espaço cotidiano: moradia e autonomia no plano de uma metrópole. Cadernos Metrópole (PUCSP), v. 14, p. 463–485, 2012. Disponível em: http://cadernosmetropole.net/system/artigos/arquivos/000/000/243/original/cm28_244.pdf?1474650655. Acesso em: 03/03/2018.

KIRCH, Patrick V. Microcosmic Histories. Island Perspectives on ‘Global’ Change. American Anthropologist, v. 99, n. 1, p. 30–42, (impresso) 1997.

LE CAMUS DE MÉZIÈRES, Nicolas. Le guide de ceux qui veulent bâtir. Paris: B. Morin, 1781.

LEVEBRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, [1968] 2001.

LEFEBVRE, Henri. From the social pact to the contract of citizenship [1990]. In: ELDEN, S.; LEBAS, E.; KPFMAN, E. (Eds.). Henri Lefebvre – Key writings. London/New York: Continuum, 2003.

LÖW, Martina. Raumsoziologie. Frankfurt/M: Suhrkamp, [2001] 2012.

MACIEL, Carlos Alberto. Arquitetura, projeto e conceito. Arquitextos, São Paulo, v.4, n.043.10, Vitruvius, s.p., dez. 2003. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br /revistas/ read/arquitextos/04.043/633. Acesso em: 03/03/2018.

MAYO, Elton. The Human Problems of an Industrial Civilization. New York: Macmillan,1933.

MERTON, Robert. The Focussed Interview and Focus Groups: Continuities and Discontinuities. The Public Opinion Quarterly, v. 51, n. 4, p. 550–566, (impresso) 1987.

NAHOUM, Benjamin (ed.). Una historia con quince mil protagonistas: Las cooperativas de vivienda por ayua mutua uruguayas. Montevideo: Intendencia Municipal de Montevideo y Junta de Andalucía, [1999] 2008.

PARSONS, David J. “A indústria da construção”. In: SNYDER James C.; CATANESE, Anthony J. (Eds.) Introdução à Arquitetura. Tradução de Heloisa Frederico. Rio de Janeiro: Campus, [1979] 1984, p. 92–112.

PICON, Antoine. Introduction. In: DURAND, Jean-Nicolas-Louis. Précis of the Lectures on Architecture: With Graphic Portion of the Lectures on Architecture. Los Angeles: Getty Research Institute, 2000.

POGREBINSCHI, Thamy. O Enigma do Político. Marx contra a política moderna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

RÉMY, Jean. Trends in Urban Sociology in French speaking countries from 1945 to 1980. Geojournal, v. 31, n. 3, p. 265–278, 1993. Disponível em: http://www.jstor.org/ stable/ 41146010. Acesso em: 03/03/2018.

SCHÄFERS, B. (ed.): Einführung in die Gruppensoziologie. Geschichte – Theorien – Analysen. Wiesbaden: Quelle & Mayer, 1999.

SNYDER James C.; CATANESE, Anthony J. (Eds.) Introdução à Arquitetura. Tradução de Heloisa Frederico. Rio de Janeiro: Campus, [1979] 1984.

STANEK, Lukasz. Henry Lefebvre on Space. Architecture, Urban Research and the Production of Theory. Mineapolis: University of Minnesota Press, 2011.

STEVENS, Garry. The favored circle: the social foundations of architectural distinction.

Cambridge, Massachussets: MIT Press, 2002.

SOJA, Edward W. Postmodern Geographies: The Reassertion of Space in Critical Social Theory. London: Verso, 1989.

SOUZA, Marcelo Lopes de. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

TÖNNIES, Ferdinand. Gemeinschaft und Gesellschaft. Grundbegriffe der reinen Soziologie. Berlin: Karl Curtius, [1887] 1922.

VALLADARES, Lícia do Prado. A Invenção da Favela. Do mito de origem à favela.com. Rio de Janeiro: Fuundação Getúlio Vargas, 2005.

WEBER, Max. Wirtschaft und Gesellschaft. Tübingen: J. C. B. Mohr, 1922.

WILLIS, Paul. Learning to Labour: How Working Class Kids Get Working Class Jobs. New York: Columbia University Press, [1977] 1981.

ZIMMERMAN, C. C. The Changing Community. New York; London: Harper, 1938.




DOI: http://dx.doi.org/10.22296/2317-1529.2018v20n2p221

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2018 Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS URBANOS E REGIONAIS - REV. BRAS. ESTUD. URBANOS REG. (Online)

ISSN: 2317-1529 (eletrônico); 1517-4115 (impresso)

 

Indexadores, Repositórios e Bases de dados:

                              


Redes Sociais: 


Licenciada sob uma Licença Creative Commons:

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia