Ao encontro do corpo: teorias da performatividade para um debate diferencial sobre espaço urbano

Autores

  • Rossana Brandão Tavares Universidade Federal Fluminense, Escola de Arquitetura e Urbanismo, Niterói, RJ, Brasil https://orcid.org/0000-0003-2793-8376
  • Mariana Galacini Bonadio Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil https://orcid.org/0000-0003-4201-0736

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202115

Palavras-chave:

Performatividade, Corpo, Espaço Urbano, Epistemologia

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar a centralidade do corpo como orientação do pensamento nos estudos urbanos, a partir das teorias da performatividade de Sara Ahmed, Karen Barad e Judith Butler. Nossos pressupostos partem da importância da experiência vivida encorporada, tanto do ponto de vista epistemológico como do método, para compreender a potência teórico-metodológica e intelectual do pensamento do corpo numa perspectiva materialista, fenomenológica e feminista interseccional do espaço urbano. Partimos do entendimento de que a abordagem positivista se mantém na prática dos estudos urbanos, conformando uma barreira histórica para novas condutas de pesquisa. Como contraponto a tal modelo, apresentamos a ideia de esparramação do corpo através de uma orientação queer/estranha, compreendendo o próprio corpo como algo que é capaz de orientar (ou desorientar) o espaço, mesmo diante da precariedade cotidiana vivida, diferencialmente, por corpos generificados, racializados e sexualizados. Nossa perspectiva almeja processos de resistência transformadora, inclusive de interpretação do cotidiano, para desenraizar os rastros positivistas dos pensamentos hegemônicos sobre o espaço urbano.

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Biografia do Autor

Rossana Brandão Tavares, Universidade Federal Fluminense, Escola de Arquitetura e Urbanismo, Niterói, RJ, Brasil

Professora Dra. Adjunta da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense EAU/UFF e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo PPGAU/UFF. Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela EAU/UFF (2003), especialização e mestrado em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR/UFRJ (2004 e 2007) e doutorado em Urbanismo pelo PROURB/UFRJ (2015). Coordena o projeto de pesquisa "Práticas Espaciais Generificadas e Conflitos Urbanos e Socioambientais", desenvolvendo investigações sobre corpo, espaço, vida cotidiana, resistências, políticas urbanas, assim como sobre perspectivas teórico-metodológicas na arquitetura e urbanismo a partir das teorias feministas.

Mariana Galacini Bonadio, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Doutoranda em Planejamento Urbano e Regional pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ). Arquiteta e Urbanista pela Universidade Federal do Paraná, especialista em Epistemologias do Sul pela Clacso e mestra em Sustainable Territorial Development pelo Consórcio EMStede. Desenvolve pesquisas principalmente no campo da onto-epistemologia, estética e ético-política feministas em interfaces com as teorias do espaço e políticas públicas.

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Publicado

2021-05-25

Edição

Seção

Artigos - Território, Cidadania e Direitos