Nós, os arquitetos dos sem-teto | We, the architects of the homeless

  • João Marcos de Almeida Lopes Universidade de São Paulo, Instituto de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, SP
Palavras-chave: Atuação profissional, produção do habitat, moradia e autogestão

Resumo

A partir do relato de duas situações de trabalho envolvendo a interlocução entre arquitetos e movimentos sociais, este artigo procura demonstrar como a prática do ofício em contextos inusitados escapa dos protocolos formais, denegando caracterizações generalistas – como “o arquiteto”, “a arquitetura”, “o mercado” etc. – bem como possíveis enquadramentos semânticos mais apertados. Procura-se demonstrar o quão frágeis se tornam as designações mais flexíveis ou as conceituações mais rigorosas, frente a uma realidade instável e que não admite os protocolos tradicionais da prática do ofício. A partir dos relatos e dessas conjeturas, sugere-se que a profissão, atualmente esvaziada de seu sentido público e esgarçada nos limites de seus compromissos mais mundanos, deve ser reinventada.  Especula-se então quanto às possibilidades de o ofício assumir novos conteúdos e modificar estruturalmente o modo como opera suas atribuições práticas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Marcos de Almeida Lopes, Universidade de São Paulo, Instituto de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, SP

é Arquiteto e Urbanista; professor Associado do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e do Programa de Pós-graduação do IAU-USP; fundador e atualmente associado da USINA – Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado.

Referências

BARAVELLI, José Eduardo. O cooperativismo uruguaio na habitação social de São Paulo: das cooperativas FUCVAM à Associação de Moradia Unidos de Vila Nova Cachoeirinha. 2006. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP, São Paulo, 2006.

CHAUÍ, Marilena; FRANCO, Maria Sylvia Carvalho. Ideologia e mobilização popular. Rio de Janeiro: Paz e Terra / Centro de Estudos de Cultura Contemporânea, 1978.

CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO NO BRASIL (CAU). 56ª PLENÁRIA: CAU destinará recursos para assistência técnica de habitação social. CAU/BR: Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, 1º ago. 2016. Disponível em <http://www.caubr.gov.br/56a-plenaria-cau-destinara-recursos-para-projetos-e-obras-de-assistencia-tecnica/>. Acesso em: jan. 2018.

DAGNINO, Evelina. Sociedade civil e espaços públicos no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

DELEUZE, Gilles. Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

DEMARTINI, Juliana. Assessoria técnica continuada: desafios e possibilidades para a implementação de um programa público para as expressões do morar. 2016. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.

FERRO, Sérgio. A história da arquitetura vista do canteiro: três aulas de Sérgio Ferro. São Paulo: GFAU, 2010.

GHILARDI, Flavio Henrique. Cinco década de cooperativismo de moradia no Uruguai. Revista e-metropolis, n. 30, ano 8, 2017. Disponível em: <http://emetropolis.net/artigo/225?name=cinco-decadas-de-cooperativismo-de-moradia-no-uruguai>. Acesso em: mar. 2018.

GORZ, André. Técnicos, técnica e luta de classes. Crítica da divisão do trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 211-248

INSTITUTO DOS ARQUITETOS DO BRASIL (IAB). Manual para a implantação da assistência técnica pública e gratuita a famílias de baixa renda para projeto e construção de habitação de interesse social. Brasília: IAB/CEF/FNA, 2010.

LEFÈVRE, Rodrigo. Projeto de um acampamento de obra: uma utopia. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP, São Paulo, 1981.

LOPES, J. M. A. O dorso da cidade: os sem-terra e a concepção de uma outra cidade. In: SANTOS, Boaventura de Sousa. Produzir para viver: os caminhos da produção não capitalista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 283-326. (Reinventar a emancipação social: para novos manifestos, vol. 2).

LOPES, J. M. A.; RIZEK, Cibele Saliba. O mutirão autogerido como procedimento inovador na produção da moradia para os pobres: uma abordagem crítica. Procedimentos de gestão habitacional para população de baixa renda. v. 1. 1. ed. Porto Alegre: ANTAC, 2006. p. 52-83. (Coletânea Habitare, 5).

RIZEK, Cibele Saliba; LOPES, J. M. A. A cidade dos sem-terra: conflitos, imagens e práticas em torno da fundação da primeira cidade dos sem-terra do Brasil. Comunicação apresentada no Colóquio Cultures Civiques et Democracies Urbaines. Cerisy-la-Salle, França, 12 a 17 de junho de 1999 (mimeo).

SANTO AMORE, Caio. Assessoria e assistência técnica: arquitetura e comunidade na política pública de habitação de interesse social. II UrbFavelas – Seminário nacional sobre urbanização de favelas, Rio de Janeiro, 2016. In: CARVALHO, Solange et al. Anais do II UrbFavelas. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2017. Disponível em: <http://www.sisgeenco.com.br/sistema/urbfavelas/anais2016/ARQUIVOS/GT4-207-216-20160815014417.pdf>. Acesso em: jan. 2018.

SEMINÁRIO discute Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social – ATHIS. CAU/SP: Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, 17 nov. 2017. Disponível em <http://www.causp.gov.br/seminario-discute-assistencia-tecnica-em-habitacao-de-interesse-social-athis/>. Acesso em: jan. 2018.

VILAÇA, Ícaro; CONSTANTE, Paula (Orgs.). USINA: entre o projeto e o canteiro. São Paulo: Aurora, 2016.

WHITAKER, João Sette. Perspectivas e desafios para o jovem arquiteto no Brasil. Qual o papel da profissão? Arquitextos/Vitruvius, São Paulo, ano 12, n. 133.07, , jul. 2011. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.133/3950>. Acesso em: jan. 2018.

Publicado
2018-03-27
Seção
Artigos