As estratégias de marketing urbano do Porto Digital

  • Tarciso Binoti Simas Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Instituto de Engenharia do Araguaia, Santana do Araguaia, PA, Brasil https://orcid.org/0000-0002-1687-7582
  • Sônia Azevedo Le Cocq de Oliveira Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-graduação em Urbanismo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • Carlos Maviael de Carvalho Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Instituto de Engenharia do Araguaia, Santana do Araguaia, PA, Brasil
Palavras-chave: Marketing urbano, Gentrificação, Economia de Aglomeração, Economia Criativa, Produção Maker, Bairro do Recife

Resumo

Porto Digital é uma política implantada no ano de 2000 e gerida por uma Organização Social (OS) que tinha como objetivos iniciais inserir Pernambuco no cenário tecnológico e contribuir com a revitalização do Bairro do Recife. Ao longo dessas duas décadas, essa OS se consolidou como um importante ator no planejamento urbano, ao associar conceitos em moda no debate sobre inovação. O objetivo deste trabalho é demonstrar como essas narrativas são instrumentalizadas como marketing urbano. Trata-se de uma pesquisa explicativa sobre a construção, a evolução e os principais impactos do Porto Digital, graças à coleta de dados bibliográficos, documentais, entrevistas e observação. Percebe-se, assim, um processo de gentrificação com manipulação da identidade, êxodo de parte da população e valorização de imóveis a serem consumidos sobretudo por empresas. Entende-se que a instrumentalização desse debate inovativo como marketing urbano permite tanto impulsionar negócios quanto servir como cortina de fumaça para os problemas sociais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tarciso Binoti Simas, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Instituto de Engenharia do Araguaia, Santana do Araguaia, PA, Brasil

Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Engenharia de Transportes no PET/COPPE/UFRJ) e Doutorado em Urbanismo pela mesma instituição (PROURB/UFRJ). É professor adjunto do Instituto de Engenharia do Araguaia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (IEA/Unifesspa).

Sônia Azevedo Le Cocq de Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-graduação em Urbanismo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR/UFRJ e doutorado em Sociologia e Antropologia pelo PPGSA/UFRJ. É professora adjunta do Programa de Pós-graduação em Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ.

Carlos Maviael de Carvalho, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Instituto de Engenharia do Araguaia, Santana do Araguaia, PA, Brasil

Graduado em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com mestrado em Engenharia de Materiais e doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais pelo PPCEM/UFPB. É professor adjunto do Instituto de Engenharia do Araguaia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (IEA/Unifesspa).

Referências

ALBUQUERQUE, I. J. C.; LACERDA, N. Normas indutoras e interesse público: o Porto Digital (Bairro do Recife) e captura da coisa pública. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 17., 2017. São Paulo: Anpur, v. 1, p. 1, 2017. Tema: Desenvolvimento, crise e resistência: quais os caminhos do planejamento urbano e regional?.

ADHR. ATLAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NO RECIFE. Software 2005. Versão 1.0.2. Disponível em: https://www.recife.pe.gov.br/pr/secplanejamento/pnud2006/. Acesso em: 10 nov. 2017.

ARANTES, O. Uma estratégia fatal: A cultura nas novas gestões urbanas. In: ARANTES, O.; VAINER, C.; MARICATO, E. (org.). A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis: Vozes, 2013. p. 11-74.

BISCEGLIA, R. Local economies in times of crisis: Italian Industrial Districts experience. International Link and Services for Local Economic Development Agencies, n. 22, jan. 2014.

BRANDÃO, C. Território e desenvolvimento: as múltiplas escalas entre o local e o global. Campinas: Ed. da Unicamp, 2012.

CANO, W. Prefácio. In: BRANDÃO, C. Território e desenvolvimento: as múltiplas escalas entre o local e o global. Campinas: Ed. da Unicamp, 2012. p. 23-28.

CASSIOLATO, J. E.; MATOS, M. G. P. Política brasileira para Arranjos Produtivos Locais: o aprendizado acumulado e suas perspectivas. In: LASTRES, H. M. M. et al. (org.). A nova geração de políticas de desenvolvimento produtivo? Sustentabilidade social e ambiental. Brasília, DF: Confederação Nacional da Indústria, 2012. p. 187-201.

CROCCO, M. A. et al. Metodologia de identificação de aglomerações produtivas locais. Nova Economia, v. 16, n. 2, p. 211-241, 2006.

COMPANS, R. Empreendedorismo urbano: entre o discurso e a prática. São Paulo: Ed. da Unesp, 2005.

CUNHA, M. A. et al. Smart cities: transformação digital de cidades. São Paulo: Programa Gestão Pública e Cidadania, 2016. p. 28.

DELGADO, M. La ciudad mentirosa: fraude y miseria del “Modelo Barcelona”. S.l.: Catarata, 2010.

FLORIDA, R. L. O grande recomeço: as mudanças no estilo de vida e de trabalho que podem levar à prosperidade pós-crise. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

FRANSEN, J. Transições urbanas de desequilíbrio. De artesanatos a objetos de decoração na Cidade do Cabo. In: CAVALLAZZI, R. L.; PARAIZO, R. C. (org.). Patrimônio, ambiente e sociedade – novos desafios espaciais. Rio de Janeiro: PROURB, 2012. p. 77-115.

GIGLIO, Z. G.; WECHSLER, S. M.; BRAGOTTO, D. Da criatividade à inovação. Campinas: Papirus, 2009.

GLAESER, E. L. The new economics of urban and regional growth. In: CLARK, G.; FELDMAN, M.; GERTLER, M. (org.). The Oxford Handbook of Economic Geography. Oxford: Oxford University Press, 2000. p. 83-98.

HARVEY, D. Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

LACERDA, N. Mercado imobiliário de bens patrimoniais: um modelo interpretativo a partir do Centro Histórico do Recife (Brasil). EURE – Revista Latinoamericana de Estudios Urbanos Regionales, v. 44, p. 113-132, 2018.

LACERDA, N.; ANJOS, K. L. Regulação da dinâmica espacial nos centros históricos brasileiros em tempos de globalização: o caso do Recife (Brasil). In: FERNANDES, A. C.; LACERDA, N.; PONTUAL, V. (org.). Desenvolvimento, planejamento e governança: expressões do debate contemporâneo. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2015. p. 455-482.

LACERDA, N.; FERNANDES, A. C. Parques tecnológicos: entre a inovação e renda imobiliária no contexto da metrópole recifense (Brasil). Cadernos Metrópole (PUCSP), v. 17, p. 329-354, 2015.

LASTRES, H. M. M.; CASSIOLATO, J. E. Arranjos Produtivos Locais: uma nova estratégia de ação para o Sebrae. Glossário de arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais. Rio de Janeiro: Sebrae, 2003.

LEITE, R. P. Patrimônio e enobrecimento no Bairro do Recife. Revista CPC (USP), São Paulo, v. 2, p. 14-26, 2006.

LIMA JUNIOR, P. de N. Uma estratégia chamada “planejamento estratégico”: deslocamentos espaciais e a atribuição de sentidos na terapia do planejamento urbano. Rio de Janeiro: 7Letras, 2010.

LYDON, M. et al. Tactical urbanism. Washington: Island Press, 2012. v. 2: Short-term action for long-term change.

MARICATO, E. As ideias fora do lugar e o lugar fora das ideias: Planejamento urbano no Brasil. In: ARANTES, O.; VAINER, C.; MARICATO, E. (org.). A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis: Vozes, 2013.

MONTENEGRO, A. T.; SALES, I. da C.; COIMBRA, S. R. Memória em Movimento: Bairro do Recife, Porto de muitas histórias. Recife: Gráfica Recife, 1989.

MOREIRA, R. A. Política de clusters – o conceito de cluster enquanto catalisador do desenvolvimento territorial – as EEC do QREN. 2014. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, Lisboa, 2014.

MORIM DE MELO, J. Mais além da rua do Bom Jesus: a revitalização do Bairro do Recife, a população e outros usos do local. 2003. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2003.

NOGUEIRA, P. C. E.; PORTINARI, D. B. Urbanismo tático e a cidade neoliberal. Revista Arcos Design, v. 9, p. 177-188, 2016.

OBSERVATORIO METROPOLITANO DE MADRID (OMM). El mercado contra la ciudad: sobre globalización, gentrificación y políticas urbanas. Madrid: Traficantes de sueños, 2015.

PREFEITURA DA CIDADE DO RECIFE (PCR). Relatório de Atividades – Memória em Movimento. Recife: Serviço de Pesquisa e Documentação no Bairro do Recife, 1989.

PREFEITURA DA CIDADE DO RECIFE (PCR). Diagnóstico socioeconômico da Comunidade do Pilar: Programa de Requalificação Urbana e Inclusão Social da Comunidade do Pilar. Recife: Empresa de Urbanização do Recife, 2012.

PREFEITURA DA CIDADE DO RECIFE (PCR). Primeiro relatório técnico de execução, janeiro a junho de 2015. Contrato de gestão n. 004/2014, Projeto ARIES – Agência Recife para Inovação e Estratégia. Recife: [s. n.], 2015.

PREFEITURA DA CIDADE DO RECIFE (PCR). Bairro do Recife. Disponível em: http://www2.recife.pe.gov.br/servico/bairro-do-recife. Acesso em: 29 set. 2016.

PORTO DIGITAL (PD). $ustentabilidade dos parques tecnológicos: sustentabilidade financeira e competitividade do território. In: WORKSHOP ANPROTEC, 19., 2011. Porto Alegre: Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores, 2011.

PORTO DIGITAL (PD). Pesquisa Porto Digital 2012. Disponível em: http://www.portodigital.org/parque/o-que-e-o-porto-digital/documentacao. Acesso em: 5 dez. 2017.

PORTO DIGITAL (PD). O que é o Porto Digital. Disponível em: http://www.portodigital.org/parque/o-que-e-o-porto-digital. Acesso em: 25 nov. 2017.

PECK, J. A vueltas con la clase creativa. In: OMM (org.). El mercado contra la ciudad: sobre globalización, gentrificación y políticas urbanas. Madrid: Traficantes de sueños, 2015. p. 53-106.

PORTER, M. E. Competição = On competition: estratégias competitivas essenciais. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

RAUSELL, P. Las ciudades creativas: hurgando en el slogan. In: MANITO, F. (org.). Ciudades creativas. Barcelona: Kreanta, 2009. v. 1 – Cultura, territorio, economía y ciudad. p. 77-88.

RECIFE. Lei no. 17.186, de 16 de janeiro de 2006. Diário Oficial da Prefeitura do Recife. Recife: Câmara Municipal, 2006a.

RECIFE. Lei no. 17.244, de 27 de julho de 2006. Diário Oficial da Prefeitura do Recife. Recife: Câmara Municipal, 2006b.

SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2006. p. 160.

SCOTT, A. J. Social economy of the metropolis: cognitive-cultural capitalism and the global resurgence of cities. New York: Oxford University Press, 2008.

SELDIN, C. Da capital de cultura à cidade criativa: resistências a paradigmas urbanos sob a inspiração de Berlim. 2015. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.

SIMAS, T. B. A competição das cidades pela inovação e os processos de gentrificação nos casos Porto Digital em Recife e 22@Barcelona. 2018. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

SLATER, T. La expulsión de las perspectivas críticas en la investigación sobre gentrificación. In: OMM (org.). El mercado contra la ciudad: sobre globalización, gentrificación y políticas urbanas. Madrid: Traficantes de sueños, 2015. p. 107-144.

SMITH, N. La nueva frontera urbana: ciudad revanchista y gentrificación. Madrid: Traficantes de Sueños, 2012.

SMITH, N. Nuevo globalismo y nuevo urbanismo. La gentrificación como estrategia urbana global. In: OMM (org.). El mercado contra la ciudad: sobre globalización, gentrificación y políticas urbanas. Madrid: Traficantes de sueños, 2015. p. 245-273.

STORPER, M.; VENABLES, A. J. O burburinho: a força econômica da cidade. In: DINIZ, C. C.; LEMOS, M. B. (org.). Economia e território. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005. p. 21-56.

THERG-BRAZIL. Triple Helix Research Group Brazil. 2016. Disponível em: http://www.triple-helix.uff.br/sobre.html. Acesso em: 16 dez. 2016.

VAINER, C. Pátria, empresa e mercadoria. In: ARANTES, O.; VAINER, C.; MARICATO, E. (org.). A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis: Vozes, 2013. p. 75-104.

Publicado
2020-12-03
Seção
Artigos - Cidade, História e Cultura