Da flânerie ao projeto demiúrgico do shopping center

  • Valquíria Padilha Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA/RP) da Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, São Paulo
Palavras-chave: consumo, publicidade, shopping center, lazer, espaço público, espaço privado.

Resumo

Esse artigo analisa o atual projeto demiúrgico do shopping center a partir da história da sociedade de consumo, desde as práticas da flânerie na Paris do século XIX. Das suas origens nas lojas de departamento européias e sua rápida proliferação pelos Estados Unidos do pós-guerra, o shopping center é apreendido como “templo” onde ocorre uma entronização da mercadoria. Mais que um espaço para compras, tem se tornado um local de lazer reificado, do desejo de participar de um mundo de sonhos vendidos pela publicidade. É um local que exclui dele aqueles que não podem consumir e que também exclui, na sua lógica privada, a cidadania, o espaço público, a cidade e sua história.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Valquíria Padilha, Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA/RP) da Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, São Paulo

Referências

ADORNO, T. Teoria da semicultura. São Paulo, Educação & Sociedade, ano XVII, n.56, dez. 1996.

ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobrea afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 1999.

AUGÉ, M. Não-lugares. Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus, 1994.

BAUDELAIRE, C. Sobre a modernidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. (Coleção Leitura.)

BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.

BENJAMIN, W. Paris, capital do século XIX. In: KOTHE, F.R. (org.), Walter Benjamin. Sociologia. São Paulo: Ática 1991. (Coleção Grandes Cientistas Sociais, 50.)

BENJAMIN, W. Sobre o conceito da História. In: BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

FONTENELLE, I. A. O nome da marca. McDonald’s, fetichismo e cultura descartável. São Paulo: Fapesp/Boitempo, 2002.

FREITAS, R. F. Centres Commerciaux: îles urbaines de la post-modernité. Paris: L’Harmattan, 1996.

FROMM, E. FREITAS, R. F. A revolução da esperança. São Paulo: Círculo do Livro, [19–].

FRÚGOLI JÚNIOR, H. Os shopping-centers de São Paulo e as formas de sociabilidade no contexto urbano. São Paulo, 1989. Dissertação (Mestrado) – Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo.

GAETA, A. C. Gerenciamento dos shopping centers e transformação do espaço urbano. In: PINTAUDI, S. M.; FRÚGOLI JÚNIOR, H. (Orgs.) Shopping Centers. Espaço, cultura e modernidade nas cidades brasileiras. São Paulo: Editora Unesp, 1992.

GODELIER, M. Economie marchande, fétichisme, magie et science selon Marx dans Le Capital”. In: GODELIER, M. Horizon, trajets marxistes en anthropologie. Paris: Maspero, 1977. v.2.

HABERMAS, J. L'espace public. Archéologie de la publicité comme dimension constitutive de la société bourgeoise. Paris: Editions Payot, 1992.

HAUG, W. F. Crítica da estética da mercadoria. São Paulo: Editora Unesp, 1997.

MARX, K. O capital. Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1983. Livro 1, t.1, v.1.

MARX, K. O Capital. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989. Livro 1, v.1.

MARX, K. Grundrisse. Lineamientos fundamentales para la crítica de la economia política 1857-1858, v.1. México: Fondo de Cultura Econômica, 1985.

MÉSZÀROS, I. Produção destrutiva e Estado capitalista. São Paulo, Cadernos Ensaio,Série Pequeno Formato, v.5, 1989.

PADILHA, V. Tempo livre e capitalismo: um par imperfeito. Campinas: Alínea, 2000.

PADILHA, V. Publicidade e manipulação das necessidades de consumo. Petrópolis, Cultura Vozes, ano 96, n.4, v.96, 2002.

PADILHA, V. Shopping center: a catedral das mercadorias. São Paulo: Boitempo, 2006.

RYBCZYNSKI, W. Vida nas cidades. Expectativas urbanas no novo Mundo. Rio de Janeiro: Record, 1996.

SANTOS JÚNIOR, W. R. dos. Shopping Center: uma imagem de espelhos. In: PINTAUDI, S. M.; FRÚGOLI JÚNIOR, H. (Orgs.) Shopping Centers. Espaço, cultura e modernidade nas cidades brasileiras. São Paulo: Editora Unesp, 1992.

O Globo. Sem-teto protestam contra desigualdade social em shopping, 5.8.2000. Disponível em http://www.globo.com.br.

O Estado de S. Paulo. Sem-teto “invadem” shopping no Rio em protesto, 5.8.2000. Disponível em http://www.estadao.com.br

SENNETT, R. O declínio do homem público. As tiranias da intimidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SILVEIRA, P. Da alienação ao fetichismo – Formas de subjetivação e de objetivação. In: SILVEIRA, P.; DORAY, B. (Orgs.) Teoria marxista da subjetividade. São Paulo: Edições Vértice, 1989. (Enciclopédia Aberta da Psique, 4.)

TASCHNER, G. B. Raízes da cultura de consumo. São Paulo, Revista USP, n.32, dez./fev. 1996-1997.

TASCHNER, G. B. Lazer, cultura e consumo. São Paulo, RAE – Revista de Administração de Empresas, v.40, n.4, p.38-47, out./dez. 2000.

Publicado
2006-05-31
Seção
Artigos