Governança metropolitana e reforma do Estado: o caso de Belo Horizonte

  • Sérgio de Azevedo Professor de Mestrado em Ciências Sociais: Gestão das Cidades, da Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte, Belo Horizonte, Minas Gerais
  • Virgínia Rennó dos Mares Guia Pesquisadora associada do Centro de Estudos Urbanos da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais
Palavras-chave: gestão, região metropolitana, reforma do Estado, municipalização, descentralização.

Resumo

O artigo analisa a governança metropolitana em Belo Horizonte, Brasil, destacando os constrangimentos que marcam sua trajetória recente. Inicialmente, é apresentado um histórico sucinto da gestão nas regiões metropolitanas brasileiras, institucionalizadas nos primeiros anos da década de 70, no bojo do regime militar. Em seguida, são analisadas as feições adquiridas a partir do processo de democratização que culmina com a Constituição Federal de 1988. Por um lado, a discussão sobre a governança é relacionada com o dilema do federalismo brasileiro, no qual a gestão metropolitana é vista como um jogo de soma zero, em detrimento dos interesses dos governos locais. Por outro, o recente debate sobre as áreas metropolitanas é relacionado com o processo mais amplo de reforma do Estado no Brasil. Finalmente, o artigo demonstra também que o arranjo institucional em vigor, formalmente democrático e descentralizado, apresenta problemas de governança por considerar a correlação de força entre os vários atores políticos envolvidos no processo.

 

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Publicado
2000-11-30
Seção
Artigos