Práticas culturais como insurgências urbanas: o caso do Squat Kunsthaus Tacheles em Berlim | Cultural practices as urban insurgencies: the case of the Kunsthaus Tacheles Squat in Berlin

  • Claudia Seldin Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, Rio de Janeiro, RJ
Palavras-chave: Berlim, cidade criativa, insurgência urbana, planejamento cultural estratégico, resistência, Squat

Resumo

Este artigo aborda o tema da “insurgência” através da análise de práticas culturais que emergem como resistências aos crescentes processos de “culturalização” do espaço urbano. Partindo do princípio de que a criação e a venda de imagens de cidade dominam o campo do Planejamento Urbano contemporâneo, propomos investigar alguns casos que atuem contra essa tendência, com foco no recorte espacial de Berlim. Apresentamos um breve histórico das insurgências urbanas na capital alemã – hoje tida como um dos exemplos emblemáticos de “cidade criativa”, tão em voga no início do século XXI. Atenção especial será dada aos squats berlinenses, especialmente ao Kunsthaus Tacheles. Apesar de serem apropriados pelo marketing urbano oficial – que visa à construção de uma imagem de cidade alternativa e atraente aos profissionais criativos –, os squats sofrem negativamente com a gentrificação. Como consequência, veem-se obrigados a criar modos verdadeiramente criativos para garantir seu direito à cidade.

 

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Biografia do Autor

Claudia Seldin, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, Rio de Janeiro, RJ

Arquiteta e Urbanista (FAU-UFRJ), Mestre e Doutora em Urbanismo (PROURB/FAU-UFRJ com período sanduíche na Bauhaus-Universität Weimar), pesquisadora de Pós-Doutorado com bolsa FAPERJ/PAPD no PROURB/FAU-UFRJ.

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Publicado
2015-12-20
Seção
Artigos | Articles: Cidades e insurgências: novos e velhos conflitos, agências e direitos