Mulheres na periferia do urbanismo: informalidade subordinada, autonomia desarticulada e resistência em Mumbai, São Paulo e Durban | Women on the periphery of urbanism: subordinate informality, disarticulated autonomy and resistance in São Paulo, Mumbai and Durban

  • Luciana Fukimoto Itikawa Universidade de São Paulo, Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo
Palavras-chave: gênero, espaço urbano, resistência, subordinação, autonomia.

Resumo

A informalidade subordinada e a autonomia desarticulada são duas faces da mesma moeda: não há neutralidade na posição que a informalidade ocupa na periferia do capitalismo. Parece impossível, portanto, a transição automática do informal para o formal, uma vez que a informalidade funciona como reserva de braços e de terras por subacumulação e superacumulação. Subacumulação, porque só resta o trabalho compulsório por sobrevivência. Superacumulação, porque são extraídos, além dos direitos trabalhistas, todo o aparato para a reprodução social da força de trabalho, incluindo o território que os trabalhadores informais ocupam. Há uma clara assimetria decisória e de riqueza como reflexo de relações desiguais de poder e subordinação, como as discriminações de gênero, raça, casta e classe em São Paulo, Durban e Mumbai. As experiências de resistência de mulheres trabalhadoras informais domiciliares e ambulantes nessas metrópoles revelam contradições e inovações nos arranjos de organização e de articulação com movimentos sociais urbanos, assim como são exemplos de conquistas parciais e pontuais.

 

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Biografia do Autor

Luciana Fukimoto Itikawa, Universidade de São Paulo, Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo
arquiteta e urbanista, Doutora pela FAU-USP, pós-doutoranda no Instituto de Estudos Brasileiros da USP

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Publicado
2016-04-30
Seção
Artigos