Concentração espacial da produção e desigualdades sociais

  • Marcio Pochmann Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia, Campinas, SP, Brasil
  • Luciana Caetano da Silva Universidade Federal de Alagoas, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Maceió, AL, Brasil http://orcid.org/0000-0001-5100-4405
Palavras-chave: desigualdade regional, desigualdade econômica, desigualdade social, concentração espacial produtiva, desenvolvimento econômico

Resumo

O objeto de análise deste artigo é a relação entre concentração espacial da produção e desigualdade social no Brasil, fenômeno multidimensional que antecede o trabalho assalariado, mas que recebe maior atenção no avanço do processo de urbanização. A hipótese aqui defendida é de que, se dotados de infraestrutura logística e educacional em condições semelhantes às do centro dinâmico da economia nacional, os estados periféricos apresentariam densidade econômica e capacidade de arrecadação fiscal semelhantes à dos estados mais ricos, com impactos sobre renda per capita, IDHM e outros indicadores socioeconômicos. Em 2014, os estados das regiões Sul e Sudeste concentravam mais de 71,35% do Produto Interno Bruto (PIB), acomodando 56,29% da população, enquanto o Nordeste, com participação de 13,93% no PIB, acomodava 27,69% da população. A análise setorial de renda e faturamento bruto das empresas revela o abismo entre Norte/Nordeste e Sul/Sudeste, assegurando a manutenção das desigualdades sociais entre os dois blocos.

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Biografia do Autor

Marcio Pochmann, Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia, Campinas, SP, Brasil
Professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campi- nas (Unicamp)
Luciana Caetano da Silva, Universidade Federal de Alagoas, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Maceió, AL, Brasil
Professora-adjunta da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Univer- sidade Federal de Alagoas (UFAL)

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Publicado
2020-02-12
Seção
Artigos - Espaço, Economia e População