“Quem manda no Mineirão?” Um estudo sobre a gestão do espaço urbano a partir da transformação do Mineirão de Estádio em Arena

Autores

  • Tharcio Elizio Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-graduação em Sociologia, Belo Horizonte, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0003-3409-2874
  • Nayara de Amorim Salgado Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-graduação em Sociologia, Belo Horizonte, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0003-4692-2839

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202220

Palavras-chave:

Estádio, Arenas, Problemas Públicos, Gestão Pública, Espaço Urbano, Sociologia Urbana

Resumo

Este artigo tem como objetivo produzir uma análise sobrea gestão do espaço urbano, baseada no estudo do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Chama-se atenção para a reforma, finalizada em 2012, e que transformou o estádio em termos físicos em uma arena multiuso. Também se comenta seu posicionamento em relação à cidade e à memória afetiva nesse espaço. Amparado em entrevistas e em análises documentais, este estudo investiga a gestão do estádio como um problema público, resultando em uma análise sobre a atuação dos agentes responsáveis, bem como sobre suas funções, responsabilidades, conexões de rede e diferenças do trabalho entre instituições. Identificam-se novas disputas sobre demandas que configuram o caráter de arena do novo Mineirão. Os apontamentos da pesquisa sugerem que o estádio não deve ser visto como um bloco uniforme, uma vez que diferentes instituições a serviço do Estado apresentam diferentes perspectivas sobre o uso do espaço urbano. Além disso, põe-se em perspectiva a atuação do Estado na gestão do Estádio Mineirão, no tocante à presença da iniciativa privada durante sua transformação em arena. Destaca-se o modo como as ações destoantes do Poder Público geram como consequência maior abertura de espaços de poder, aproveitados por outros atores que passam, então, a influenciar a gestão do estádio.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tharcio Elizio , Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-graduação em Sociologia, Belo Horizonte, MG, Brasil

Mestre em Sociologia Urbana pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Bacharel pela mesma Universidade.

Nayara de Amorim Salgado, Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-graduação em Sociologia, Belo Horizonte, MG, Brasil

Doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Sociologia pela mesma instituição. Bacharel licenciada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

Referências

BELO HORIZONTE. Lei Municipal nº 9.505, de 23 de janeiro de 2008. Dispõe sobre o controle de ruídos, sons e vibrações em Belo Horizonte. Diário Oficial do Município de Belo Horizonte, Belo Horizonte, 2008.

BRANSKI, R. M.; NUNES, E. E. F.; LOUREIRO, S. A.; LIMA JR, O. F. Infraestruturas nas copas do mundo da Alemanha, África do Sul e Brasil. Caderno Metrópoles, São Paulo, v. 15, n. 30, p. 557-582, dez. 2013.

BRASIL. Lei Federal nº 10.671, de 15 de maio de 2003. Dispõe sobre o Estatuto de Defesa do Torcedor e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 maio 2003.

CABRAL, S.; SILVA JR., A. F. A. PPPs e decisões de investimento na construção de estádios de futebol. Organizações & Sociedade, v. 16, n. 48, p. 39-58, 2009.

CAMPOS, P. A. F.; AMARAL, S. C. F. A Copa do Mundo de Futebol de 2014 e o (novo) Mineirão. Rua, v. 19, n. 1, p. 41-55, 2013.

CASTILHO, C. T.; EVRARD, B.; CHARRIER, D. 2014 FIFA World Cup in Brazil: gentrification of Brazilian football. Sociology and Anthropology, n. 9, p. 703-712, 2017.

COSTA, L. C. L. R. Mineirinho, dos planos ao concreto: memória e história do Palácio dos Esportes de Belo Horizonte (1959-1980). 2019. Tese (Doutorado) – Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Educacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

DRULA, A. J. O processo de transformação de um estádio para arena: o caso “Arena da Baixada”. 2015. 130f. Dissertação (Mestrado) – Setor de Ciências Biológicas, Programa de Pós-graduação em Educação Física, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2015.

FERREIRA, E. A. M.; SILVA, L. P. da. A Pampulha e o “Novo” Mineirão: possibilidades para o fomento da prática do turismo futebolístico. LICERE, Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer, v. 19, n. 3, p. 29-70, 2016.

GUSFIELD, J. La culture des problèmes publics. L’álcool au volant: la production d’un ordre symbolique. Tradução: Daniel Cefaí. Paris: Éditions Economica, Paris, [1981] 2009.

HOLLANDA, B. B. de; MEDEIROS, J. Do “Colosso do Derby” a “Arena do Maracanã”: a cidade, o estádio e as percepções dos torcedores de futebol sobre a Copa do Mundo 2014. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 16, n. 2, 2014.

HOLLANDA, B. B. B. de; MEDEIROS, J. De “país do futebol” a “país dos megaeventos”: um balanço da modernização dos estádios brasileiros sob a ótica das torcidas organizadas da cidade de São Paulo. Recorde: Revista de História do Esporte, v. 12, n. 1, 2019.

JARDIM, D. O. P. A construção de um legado da Copa do Mundo Fifa 2014 em Belo Horizonte: análise da Parceria Público-Privada para reforma e gestão do Estádio Mineirão. 2013. 190f. Dissertação (Mestrado em Administração Pública) – Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 2013.

LA CORTE, C. de. Estádios brasileiros de futebol: uma análise de desempenho técnico, funcional e de gestão. 2 v. 2007. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

LOTT, W. P. A política do esporte e a construção do estádio Mineirão. FuLiA/UFMG, v. 5, n. 2, p. 35-51, 2020.

MASCARENHAS, G. Cidade mercadoria, cidade-vitrine, cidade turística: a espetacularização do urbano nos megaeventos esportivos. Caderno Virtual de Turismo, v. 14, n. 1, p. 52-65, 2014.

MINAS ARENA. Estádio Mineirão. Disponível em http://www.mineiraopremium.com.br/site/conteudo/1/o-estadio.html. Acesso em: 2 set. 2021.

MINAS GERAIS. Lei Estadual nº 3.410, de 8 de julho de 1965. Autoriza a aquisição de imóvel destinado à Imprensa Oficial e cria a autarquia “Estádio Minas Gerais”. Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1965.

MINAS GERAIS. Lei Estadual nº 7.302, de 21 de julho de 1978. Dispõe sobre a proteção contra a poluição sonora no estado de Minas Gerais. Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1978.

MINAS GERAIS. Lei Estadual nº 11.176, de 6 de agosto de 1993. Dispõe sobre a reorganização da autarquia Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (ADEMG), estabelece níveis de vencimentos e dá outras providências. Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1993.

MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Edital de Licitação. Concorrência nº 02/10 – SEPLAG/MG. Exploração, mediante concessão administrativa, da operação e manutenção, precedidas de obras de reforma, renovação e adequação do Complexo do Mineirão, em conformidade com a Lei Federal nº 11.079/2004 e a Lei Estadual nº 14.868/2003. Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010. Disponível em: http://www.compras.mg.gov.br/images/stories/ArquivosLicitacoes/PPP_mineirao/20100614-Anexo_IX-Descricao_do_Complexo_do_Mineirao.pdf. Acesso em: 6 set. 2021.

MINAS GERAIS. Lei Estadual nº 21.083, de 27 de dezembro de 2013. Extingue a autarquia Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (ADEMG) e dá outras providências. Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 28 dez. 2013.

OLIVEIRA JÚNIOR. R. C. G. de. “A busca por uma gestão profissional”: relato etnográfico de um fórum de gestores das arenas de futebol no Brasil. Reunião Brasileira de Antropologia, 29, ago. 2014, Natal/RN. Anais da [...]. Disponível em: http://www.29rba.abant.org.br/resources/anais/1/1401895260_ARQUIVO_OLIVEIRAJUNIOR,Ricardo.pdf. Acesso em: 4 abr. 2022.

RAMPAZZO, G. F. O fim da festa e da história: Os efeitos da arenização nos estádios e arenas de futebol. Revista Avesso, v. 2, n. 1, p. 1-25, 2021.

SANTOS, I. S. “O público que devemos abolir”: a elitização do futebol brasileiro e as novas Arenas. 2014. 92 f. Monografia (Graduação) – Curso de Graduação em Comunicação Social, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2014.

SILVEIRA, M. P. da; SANTOS, L. S. dos. Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A de 2014 e 2015: Como os clássicos, a performance, o dia da semana e as novas arenas afetaram a arrecadação com bilheteria e o comparecimento de público. Revista de Gestão e Negócios do Esporte (RGNE), São Paulo, v. 2, n. 1, p. 10-24, maio 2017.

TONUCCI FILHO, J. B.; SCOTTI, M.; MOTTA, E. Copa do Mundo-2014, Belo Horizonte: impactos socioeconômicos e neoliberalismo urbano. In: OLIVEIRA JÚNIOR, H. R.; FREITAS, D.; TONUCCI FILHO, J. B. (org.). Belo Horizonte: os impactos da Copa do Mundo de 2014. Belo Horizonte: Del Rey; Observatório das Metrópoles, 2014.

VAINER, C. Cidade de exceção: reflexões a partir do Rio de Janeiro. Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, 14., 2011. Rio de Janeiro. Anais [...], Tema: Quem planeja o território? Atores, arenas e estratégias. Rio de Janeiro: Anpur, 2011.

VAN WINKEL, C. The stadium: architecture of mass sport. Amsterdam: Nai Publisher, 2000.

Publicado

2022-07-11

Edição

Seção

Dossiê: Políticas públicas e estatalidade