Prostituição e espaço urbano: a perspectiva “putafeminista” nos escritos de três prostitutas ativistas brasileiras

Autores

  • Gabriela Pinto de Moura Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0003-1016-7675

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202127

Palavras-chave:

Cidade, Putafeminismo, Feminismo, Espaço, Prostituição

Resumo

Colaborando com a busca de novos referenciais epistemológicos que contribuam para o avanço da produção de conhecimento sobre prostituição e espaço urbano, este artigo se volta para os escritos de três prostitutas ativistas brasileiras – Gabriela Leite, Amara Moira e Monique Prada – sobre prostituição, gênero, sexualidade, espaço urbano e feminismo, a fim de acessar o contexto de formação e questões formuladas pelo “putafeminismo”, movimento criado e fomentado por prostitutas que pressionam os limites do feminismo ao propor que este se abra para o reconhecimento de seus saberes, vivências e demandas. Pretende-se, a partir disso, fomentar uma análise sobre a produção do espaço urbano pela prostituição, em um debate de gênero que visibiliza o lugar das prostitutas como usuárias e produtoras do espaço urbano e como sujeitas reflexivas de sua própria realidade.

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Biografia do Autor

Gabriela Pinto de Moura, Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil

Arquiteta urbanista pela Universidade Federal do Espírito Santo e mestranda em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal da Bahia.

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Publicado

2021-11-29

Edição

Seção

Dossiê: Território, gênero e interseccionalidades