Aportes da teoria marxista da dependência para a análise da agropecuária e da indústria da mineração

Autores

  • Gil Felix Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Instituto Latino-americano de Economia, Sociedade e Política, Foz do Iguaçu, PR, Brasil https://orcid.org/0000-0001-8371-1358

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202123

Palavras-chave:

Mineração, Frentes de Expansão, Superexploração do Trabalho, Ruy Mauro Marini, Amazônia

Resumo

Na Amazônia brasileira, a expansão das atividades da grande indústria da mineração tem mobilizado contingentes populacionais significativos para algumas cidades e tem sido anunciada como promotora do denominado desenvolvimento local, na medida em que superaria determinadas dinâmicas sociais presentes nas atividades antes economicamente predominantes. Neste sentido, com base no que Ruy Mauro Marini planteou como teoria marxista da dependência, procede-se a uma análise dos processos históricos de desenvolvimento das frentes de expansão na chamada Amazônia Oriental enquanto expressão de um processo histórico mais amplo de reprodução da dependência e da superexploração do trabalho. A investigação foi realizada com base em dados de pesquisa bibliográfica e em pesquisa em arquivos de movimentos sociais, além de uma etapa de pesquisa e trabalho de campo, levada a cabo em 2012, considerando uma investigação mais ampla desenvolvida pelo autor e iniciada em 2005 na mesma região.

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Biografia do Autor

Gil Felix, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Instituto Latino-americano de Economia, Sociedade e Política, Foz do Iguaçu, PR, Brasil

Professor e pesquisador do curso de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Mestre em Antropologia (Universidade Federal Fluminense - UFF). Doutor em Ciências Sociais (Universidade Estadual de Campinas - Unicamp). Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Trabalho (Unila/CNPq). Autor, dentre outros, de “O caminho do mundo: mobilidade espacial e condição camponesa em uma região da Amazônia Oriental” (2ª ed., 2021) e de “Mobilidade e superexploração do trabalho: o enigma da circulação” (2019).

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Publicado

2021-09-04

Edição

Seção

Artigos - Espaço, Economia e População