Disseminação da COVID-19: contágio tardio em centros locais no sudeste do Tocantins

Autores

  • Miguel Pacifico Filho Universidade Federal do Norte do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais, Araguaína, TO, Brasil https://orcid.org/0000-0002-0316-2326
  • Helga Midori Iwamoto Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional, Palmas, TO, Brasil https://orcid.org/0000-0002-6527-7137
  • Thelma Pontes Borges Universidade Federal do Norte do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais, Araguaína, TO, Brasil https://orcid.org/0000-0001-6073-8937
  • Airton Cardoso Cançado Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional, Palmas, TO, Brasil https://orcid.org/0000-0003-4698-1804

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202203pt

Palavras-chave:

Covid-19, Tocantins, Sudeste do Tocantins, Centros Locais, Surto Municipalista

Resumo

O mundo foi assolado em 2020 pela COVID-19, geradora de patologia grave com alta mortalidade. As políticas nacionais de controle da pandemia esbarraram na precária estrutura sanitária do país. O Tocantins, acompanhando o restante do mundo, viu suas principais cidades sofrerem com índices de contaminação; contudo, determinadas localidades se viram livres dessa dinâmica por um período maior. É sobre o estudo de cinco municípios, localizados no sudeste do estado, os últimos a serem atingidas pela pandemia, que esse trabalho versa, com o objetivo de refletir sobre fatores que retardaram a chegada do vírus. Foi realizada pesquisa descritivo-analítica, com revisão bibliográfica e o uso de dados secundários em bases do IBGE, da Secretaria do Planejamento e Orçamento do estado, bem como de boletins epidemiológicos da Secretaria da Saúde, índices da cadeia produtiva do agronegócio e perfil da indústria, produzidos pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins. Concluiu-se que alguns fatores contribuíram para esse processo, como a baixa influência de centros urbanos, a não incidência de grandes rodovias e o baixo poder aquisitivo da população, o que evitou maiores fluxos resultantes da baixa atratividade econômica.

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Biografia do Autor

Miguel Pacifico Filho, Universidade Federal do Norte do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais, Araguaína, TO, Brasil

Doutor em História pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Docente do curso de Geografia e do Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais da Universidade Federal do Norte do Tocantins.

Helga Midori Iwamoto, Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional, Palmas, TO, Brasil

Doutora em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Docente do curso de Administração e do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Thelma Pontes Borges, Universidade Federal do Norte do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais, Araguaína, TO, Brasil

Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do curso de Letras e do Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).

Airton Cardoso Cançado, Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional, Palmas, TO, Brasil

Doutor em Administração pela Universidade Federal de Lavras (Ufla). Docente do curso de Administração e do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

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Publicado

2022-04-14

Edição

Seção

Artigos - Planejamento e Políticas Públicas