Dos Alagados à terra firme: processo de produção de uma favela, ausência do Estado e impactos das dinâmicas socioespaciais na vida dos moradores

Autores

  • Alison Conceição Brito Universidade Federal da Bahia, Programa de pós-graduação em Educação, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0002-6077-7087
  • Emília Amélia Pinto Costa Rodrigues Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Educação Física, São Paulo, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0001-5885-3207

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202234

Palavras-chave:

Políticas Públicas, Urbanização, Periferia, Realocação, Território

Resumo

O bairro dos Alagados caracterizou-se como um conjunto de casas e pontes de madeira, as chamadas palafitas, e os moradores dessa comunidade foram submetidos a um processo de realocação, em que foram retirados das palafitas e direcionados a conjuntos habitacionais em locais de terra firme. Esse processo foi iniciado em 1980 e finalizado somente nos anos 2000, revelando sua complexidade. Diante disso, o presente texto objetiva compreender os impactos que essas mudanças socioespaciais representaram na vida desses moradores. Os principais resultados apontaram que, de fato, houve mudança no que tange à qualidade de vida, à dignidade e a aspectos relacionados à estrutura, demonstrando que as políticas de organização urbana são de suma importância para a qualidade geral da vida dos atores sociais. Em contrapartida, para os moradores entrevistados, as políticas públicas findaram-se na realocação, visto que não houve melhoria em outros aspectos da vida, como acesso a outros direitos, como segurança pública, saúde e lazer.

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Biografia do Autor

Alison Conceição Brito, Universidade Federal da Bahia, Programa de pós-graduação em Educação, Salvador, BA, Brasil

Professor da rede estadual de ensino da Bahia e discente do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA; 2022). Graduado em Educação Física por essa instituição (2019). Integrante do grupo de pesquisa História da Cultura Corporal, Educação, Esporte, Lazer e Sociedade (HCEL-UFBA). Atuante nas áreas de pesquisas do lazer, saúde pública, políticas públicas, pessoa com deficiência, cidade, espaços públicos e seus temas transversais.

Emília Amélia Pinto Costa Rodrigues, Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Educação Física, São Paulo, SP, Brasil

Professora adjunta da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com lotação provisória na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Doutora em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR; 2016). Integrante do grupo de pesquisa História da Cultura Corporal, Educação, Esporte, Lazer e Sociedade (HCEL-UFBA). Atua em pesquisas relacionadas aos temas lazer, cidade, idoso, esporte, gestão, escola, educação física escolar e estágio supervisionado.

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Publicado

2022-11-18

Edição

Seção

Dossiê: Políticas públicas e estatalidade