A forma urbana patrimonialista: limites da ação estatal na produção do espaço urbano no Brasil

Autores

  • João Sette Whitaker Ferreira Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0001-9178-9606

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202228pt

Palavras-chave:

Estado, Formação Urbana, Patrimonialismo, Derivação do Estado, Políticas Públicas Urbanas

Resumo

As políticas públicas urbanas no Brasil se apoiam em uma crença exagerada quanto ao potencial transformador do aparato estatal e do planejamento urbano. Isso porque o modelo de Estado que se utiliza é aquele que se estrutura no contexto das economias reguladas do Estado do bem-estar social, no qual a produção do espaço urbano é decorrente da ação de um Estado forte. O problema é que esse modelo não corresponde à sociabilidade brasileira nem à nossa forma urbana. É necessário elaborar uma teoria do Estado no urbano que seja capaz de abarcar as especificidades da nossa sociedade patrimonialista. Usando a teoria da derivação do Estado, depreendemos que a forma urbana deriva dessa sociabilidade específica, definindo um processo que não é o da produção social do espaço, mas sim da produção patrimonialista do espaço – um padrão de dominação por meio do espaço que sustenta a sociedade de elite.

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Biografia do Autor

João Sette Whitaker Ferreira, Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, SP, Brasil

Arquiteto-urbanista (FAU-USP, 1990) e Economista (PUC-SP, 1993), Mestre em Ciência Política (FFLCH-USP,1998) e Doutor em Planejamento Urbano (FAU-USP, 2003). Prêmio de melhor tese de Doutorado pela ANPUR, em 2005. Professor Titular da FAU-USP, onde leciona desde 2000, foi também professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie entre 2003 e 2013. Pesquisador sênior do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAU-USP-LabHab, que coordenou entre 2008 e 2015. Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lyon/St. Etienne, França, em 2017. Foi Secretário de Habitação do Município de São Paulo, em 2016. Autor de O mito da Cidade Global (Editora Vozes, 2007) e Produzir casas ou construir cidades? Desafios para um novo Brasil urbano (2ª edição, Editora Annablume, 2021).

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Publicado

2022-10-26

Edição

Seção

Dossiê: Políticas públicas e estatalidade