Caminhos do capital financeiro no espaço agrário brasileiro: elementos para o debate dos conflitos hídricos no Mato Grosso, Brasil

Autores

  • Daniel Lemos Jeziorny Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Porto Alegre, RS, Brasil https://orcid.org/0000-0002-7042-8673
  • Lucas Trentin Rech Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Ciências Econômicas, Salvador, BA, Brasil / Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Brasília, DF, Brasil https://orcid.org/0000-0003-0127-2078
  • Daniela Dias Kuhn Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Porto Alegre, RS, Brasil https://orcid.org/0000-0003-4744-2036
  • Hugo Henrique Kegler dos Santos Universidade Federal Fluminense, Departamento de Estatística, Niterói, RJ, Brasil / Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Departamento de Estatística, Porto Alegre, RS, Brasil https://orcid.org/0000-0003-0350-2594

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202412pt

Palavras-chave:

Neoextrativismo, Financeirização, Land Grabbing, Fiagro, Conflitos Socioambientai

Resumo

Calcado na leitura de Moore (2015) e nos conceitos de neoextrativismo e land grabbing, este trabalho caracteriza uma forma emblemática de concretização do capitalismo na América Latina, especialmente no estado brasileiro do Mato Grosso. Como manifestações concretas do land grabbing são discutidos os recentemente instituídos Fundos de Investimento do Agronegócio (Fiagro) e apresentadas as empresas listadas em bolsa vinculadas diretamente à especulação de terras e/ou ao monocultivo. Apresentam-se a geolocalização das fazendas administradas pelos Fiagro e sua proximidade dos conflitos por água no estado do Mato Grosso, além do mapa dos compartimentos geoambientais desse estado e o das terras indígenas. O objetivo é encontrar pistas de como – em resposta ao movimento geral de circulação e de valorização do capital em escala global – a construção e a operacionalização desses renovados instrumentos financeiros podem repercutir concretamente na existência de territórios de povos e comunidades que teimam em funcionar com outra lógica.

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Biografia do Autor

Daniel Lemos Jeziorny, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Porto Alegre, RS, Brasil

Professor na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Lucas Trentin Rech, Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Ciências Econômicas, Salvador, BA, Brasil / Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Brasília, DF, Brasil

Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Faculdade de Ciências Econômicas, Salvador, BA. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Pesquisador visitante na Diretoria de Estudos e Pesquisas do Estado, das Instituições e da Democracia, Brasília, DF.

Daniela Dias Kuhn, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Porto Alegre, RS, Brasil

Bacharel em Economia. Doutora em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS). Professora associada do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS e professora permanente do PGDR/UFRGS.

Hugo Henrique Kegler dos Santos, Universidade Federal Fluminense, Departamento de Estatística, Niterói, RJ, Brasil / Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Departamento de Estatística, Porto Alegre, RS, Brasil

Bacharel em Matemática. Doutor em Estatística (UFSCar). Professor adjunto do Departamento de Estatística da Universidade Federal Fluminense (UFF) em exercício no Departamento de Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Publicado

2024-03-01

Como Citar

Jeziorny, D. L., Rech, L. T., Kuhn, D. D., & Santos, H. H. K. dos. (2024). Caminhos do capital financeiro no espaço agrário brasileiro: elementos para o debate dos conflitos hídricos no Mato Grosso, Brasil. Revista Brasileira De Estudos Urbanos E Regionais, 26(1). https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202412pt

Edição

Seção

Dossiê Neoextrativismo e autoritarismo