Empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil e na Argentina

  • Flávio Chedid Henriques Núcleo de Solidariedade Técnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
  • Michel Jean-Marie Thiollent Programa de Pós-Graduação em Administração da UNIGRANRIO, UNIGRANRIO, Rio de Janeiro.
Palavras-chave: empresas recuperadas por trabalhadores, organização do trabalho, autogestão, estudos organizacionais críticos.

Resumo

Este artigo é resultado de uma tese de doutorado que teve como objetivo identificar inovações no campo da organização do trabalho produzidas pelas experiências de empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil e na Argentina. A tese central defendida é a de que as limitações impostas pela hegemonia do modo de produção capitalista não encerram a possibilidade de construção de novas relações sociais de produção. Os cinco estudos de caso realizados e a experiência de levantamentos da totalidade das experiências de empresas recuperadas nos dois países forneceram elementos que permitiram problematizar em vários aspectos a organização capitalista do trabalho e, por meio de uma crítica prática, como sugere Rebón (2007), propiciaram a reflexão sobre a possibilidade de superação do modelo hegemônico, que não passa apenas pela inovação no interior das organizações, mas também da relação dessas empresas com seus territórios.

 

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Publicado
2013-11-30
Seção
Economia Social, Popular e Solidária, Autogestão e Território