Políticas sociais e políticas de cultura: territórios e privatizações cruzadas

  • Cibele Saliba Rizek Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP (São Carlos)/CENEDIC - Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania, USP, São Paulo, SP
Palavras-chave: políticas sociais, políticas públicas, privatização, periferias urbanas.

Resumo

O artigo se baseia em pesquisa que apontou para novas formas de captação de recursos por meio da promoção de práticas culturais que se interligam à gestão de serviços públicos de saúde na Zona Leste da Cidade de São Paulo, sob a direção de organizações sociais privadas. O cruzamento entre modos de captação, gestão terceirizada da cultura e equipamentos de saúde aponta para uma intersetorialidade inédita dessas práticas, o que configura o que poderia ser identificado como um planejamento social privado, redesenhando formas de atuação e margens do Estado por meio de um conjunto de relações entre os programas sociais e a população em condições de pobreza na maior cidade brasileira. Os bairros da última periferia Leste da cidade de São Paulo conformam assim um terreno de experimentações dessas práticas cruzadas para além das caracterizações clássicas das zonas periféricas das grandes metrópoles brasileiras que apontavam para a precariedade das condições de vida bem como para o nascedouro de movimentos sociais, suas demandas, sujeitos e linguagens de direitos, tal como foram percebidos e enunciados a partir do final dos anos oitenta do século XX.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BRASIL. Ministério da Cultura. Editais Cultura e Saúde e Rede Saúde e Cultura. http://www. cultura.gov.br. Consultado em 20 de outubro de 2012.

BRASIL. Ministério da Cultura. www.cultura.gov.br/apoioaprojetos. Consultado em 21 de setembro de 2009.

COHN, A. Saúde e Desenvolvimento Social. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 18., abr./jun. 2009.

FERNANDES, V. Vi o Mundo . In: www.faxsindical.wordpress.com, consultado em 15 de agosto de 2012.

FRENTE NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE. www. frentecontraprivatizacaope.com.br/blog/wp.../DADOS-OSs. 2011. Consultado em maio de 2013.

GEORGES, I., SANTOS, Y. G. A produção da “demanda”: viés institucional e implicações políticas da terceirização do trabalho social na periferia de São Paulo. In: CUNHA, N. V.,

FELTRAN, G. S. Sobre Periferias: Novos conflitos no espaço publico. Rio de Janeiro, Ed. Faperj/Lamparina, 2013.

MAGALHÃES, J. C. As entidades sociais e o surgimento de uma gestão concorrencial do engajamento cívico. In: CABANES, R., GEORGES, I., RIZEK, C., TELLES, V. (orgs.), Saídas de emergência, ganhar/perder a vida em São Paulo. São Paulo, Boitempo, 2011.

MARANHÃO, T. O sentido político das práticas de responsabilidade social empresarial no Brasil. In: CABANES, R., GEORGES, I., RIZEK, C., TELLES, V. (orgs.), Saídas de emergência, ganhar/perder a vida em São Paulo. São Paulo, Boitempo, 2011.

OLIVEIRA, F. e RIZEK, C. A era da indeterminação. São Paulo, Boitempo, 2007.

PANTOJA, I. Planejamento social privado. Rio de Janeiro, IPPUR/UFRJ, 2012. (dissertação de mestrado).

PMSP. LEI MUNICIPAL Nº 14.132, de 24 de Janeiro de 2006. www.prefeitura.sp.gov.br/ cidade/secretarias/saude/.../index.php?p=6196. Consultado em 15 de agosto de 2012.

PMSP. Prefeitura da Cidade de São Paulo. http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/publicacoes/Boletim_CEInfo_Censo_02.pdf. Consultado em 15 de gosto de 2012.

SEGNINI, L. O que permanece quando tudo muda. Cadernos do CRH vol 24, número especial, 2011.

Publicado
2013-11-30
Seção
Artigos