Como produzir conhecimento nos encontros entre mulheres? Reflexões sobre experiências teórico-metodológicas com e desde as margens da cidade

Autores

  • Vanessa Alves Cordeiro Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0002-9551-0219
  • Aleida Fontoura Batistoti Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0002-5952-8438
  • Zara Pereira Rodrigues Silva Urbanista e arquiteta, profissional autônoma, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0001-7649-9918
  • Marina Silveira Muniz Ferreira Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0002-3013-2691
  • Atailon da Silva Matos Silva Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0002-8277-221X

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202130

Palavras-chave:

Salvador, Bahia, Fazer-cidade, Margens, Mulheres negras, Pesquisa implicada, Experimentações metodológicas

Resumo

Este artigo é resultado de inquietações elaboradas coletivamente no grupo de estudos Margear (UFBA). Ele objetiva evidenciar e refletir sobre modos de pensar, pesquisar e narrar cidades de uma perspectiva interseccional. Tomando partido de fragmentos produzidos em nossas pesquisas, destacamos experimentações teórico-metodológicas que praticamos, assim como estratégias para pensar e narrar por meio de linguagens que não apenas a escrita. Nos processos de pesquisa, as principais reflexões que nos movimentaram foram: produção de conhecimento desde e com as margens; valorização da memória; trajetórias urbanas de mulheres negras; imbricações de modos de vida no fazer-cidade cotidiano. As trocas inter e transdisciplinares têm nos fornecido considerações fecundas, mas reforçamos que o campo dos estudos urbanos ainda carece da construção de um arcabouço teórico que o aproxime de alargamentos epistêmicos necessários à sua atualização.

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Biografia do Autor

Vanessa Alves Cordeiro, Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil

Urbanista e arquiteta (UFPI), especialista em Planejamento Urbano e Gestão Socioambiental das Cidades (UFPI), mestranda em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFBA), integrante do grupo de estudos Margear (UFBA).

Aleida Fontoura Batistoti, Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil

Urbanista e arquiteta (UCDB), especialista em Assistência Técnica, Habitação e Direito à Cidade (RAU+E/UFBA), mestranda em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFBA), integrante do grupo de estudos Margear (UFBA).

Zara Pereira Rodrigues Silva, Urbanista e arquiteta, profissional autônoma, Salvador, BA, Brasil

Urbanista e arquiteta (UFBA), integrante do grupo de estudos Margear (UFBA).

Marina Silveira Muniz Ferreira, Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil

Urbanista e arquiteta (UFBA), mestranda em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFBA), integrante do grupo de estudos Margear (UFBA) e do Coletivo Trama de multilinguagens.

Atailon da Silva Matos Silva, Universidade Federal da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Salvador, BA, Brasil

Engenheiro Civil (UNIFACS), mestrando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/UFBA), integrante do grupo de estudos Margear (UFBA), do grupo de Pesquisa Lugar Comum e do Coletivo Trama de multilinguagens.

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Publicado

2021-11-29

Edição

Seção

Dossiê: Território, gênero e interseccionalidades