Uma Izidora e duas Rosas: notas para uma perspectiva do espaço protagonizada por mulheres negras

Autores

  • Natália Alves da Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil https://orcid.org/0000-0001-9524-4996

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202138pt

Palavras-chave:

Protagonismo das Mulheres Negras, Izidora, Disputas de Lugar, Feminismo Negro, Narrativas

Resumo

O presente artigo tem como objetivo discutir o protagonismo das mulheres negras nas disputas de lugar ocorridas, em três tempos históricos distintos, na região da Izidora, onde atualmente se localizam as ocupações Vitória, Esperança e Rosa Leão, situada no vetor norte da cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. O que se busca mostrar é a convergência entre as lutas em torno da permanência das comunidades na dimensão físico-territorial e das lutas por nomeação do lugar. As perspectivas feministas negras são tomadas, enquanto epistemologia, para construir um quadro conceitual que, ao problematizar análises unidimensionais da produção do espaço, dá visibilidade às múltiplas dinâmicas que se entrecruzam no espaço e no tempo, informadas por gênero, raça e classe.

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Biografia do Autor

Natália Alves da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Publicado

2021-11-29

Edição

Seção

Dossiê: Território, gênero e interseccionalidades