Henri Lefebvre e o terceiro espaço: por uma outra leitura crítica da urbanização latino-americana
DOI:
https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202612enPalavras-chave:
Espaço urbano, Direito à cidade, Insurgências urbanas, Monumentalidade, Terceiro espaço, Poesia do excesso, América LatinaResumo
Partindo da noção de “terceiro espaço” em Henri Lefebvre, este artigo propõe uma abordagem crítica da produção do espaço urbano centrada na potência simbólica, poética e política dos usos coletivos e não normativos. Entendido como espaço de apropriação, transgressão e produção de sentido, o terceiro espaço se configura como chave metodológica e epistemológica para reimaginar o urbano a partir da América Latina. Essa perspectiva não apenas coloca em xeque os paradigmas funcionalistas da urbanização neoliberal, mas também ultrapassa epistemologias latino-americanas pretéritas ainda carentes de uma abordagem espacial. De caráter exploratório-analítico e teórico-crítico, a investigação examina experiências urbanas contemporâneas que ativam a dimensão simbólica da cidade – como ocupações e equipamentos públicos – para identificar categorias críticas e formas emergentes de produção do espaço. Ao reinscrever o gozo, o excesso e a alteridade na experiência espacial, argumenta-se que tais práticas constituem campos empíricos de reflexão e experimentação, abrindo brechas para uma produção de conhecimento urbano situada, sensível e insurgente.
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