Decolonialidade, educação libertadora e direito à cidade: práxis de assessoria técnica de grupos extensionistas da Red Ulacav, em Buenos Aires e no Recife
DOI:
https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202616enPalavras-chave:
Pensamento Crítico Decolonial, Educação Libertadora, Direito à Cidade, Extensão Universitária, Planejamento Urbano, Participação Popular e Assessoria Técnica, América LatinaResumo
O objetivo deste artigo é apresentar a práxis de assessoria técnica de grupos acadêmicos extensionistas da América Latina que visam fortalecer a participação popular e a luta pelo direito à cidade, identificando, em sua atuação teórico-metodológica, a articulação entre as contribuições do pensamento crítico decolonial, da teoria da educação libertadora de Paulo Freire e do conceito lefebvriano de direito à cidade. Foram selecionados dois grupos extensionistas, com os quais as autoras tiveram a oportunidade de desenvolver a pesquisa: o Taller Libre de Proyecto Social (TLPS), da Universidade de Buenos Aires (UBA), e a Comunidade Interdisciplinar de Ação, Pesquisa e Aprendizagem (Ciapa), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Por meio de uma abordagem dialética, foram utilizadas como procedimentos metodológicos entrevistas com membros dos grupos e observação participante da práxis de assessoria técnica desses grupos em duas comunidades: Rodrigo Bueno (Buenos Aires) e Vila Sul (Recife). Relatos de campo e documentos produzidos nos processos de assessoria foram sistematizados, além da realização de registros fotográficos próprios. Os resultados indicam que a prática extensionista, fundamentada em marcos teórico-metodológicos decoloniais e freirianos e no direito à cidade, fortalece a produção social do habitat, amplia a incidência política e a organização comunitária e coloca em xeque modelos hegemônicos de planejamento urbano, demonstrando o potencial transformador da práxis territorial no contexto latino-americano.
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