Entre a essencialidade e a instrumentalidade do patrimônio: valores institucionais e participação social na gestão da conservação urbana

Autores

  • Paulo José de Albuquerque Marques da Cunha Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Laboratório de Estudos Socioambientais, Garanhuns, PE, Brasil https://orcid.org/0000-0003-1149-7019
  • Tomás de Albuquerque Lapa Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano, Recife, PE, Brasil https://orcid.org/0000-0003-1763-1004

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202109

Palavras-chave:

Gestão da Conservação, Conservação Urbana, Valores Patrimoniais, Patrimônio, Participação Social

Resumo

Este artigo insere-se no debate contemporâneo acerca da Gestão da Conservação Urbana baseada nos valores patrimoniais. Em vista da dicotomia entre valores essenciais e valores instrumentais, a Conservação tem encontrado entraves associados às missões das instituições que gerem os sítios patrimoniais e aos processos participativos. Quão efetivos se mostram os mecanismos de gestão compartilhada? Para análise dessa problemática, adota-se o Parque Metropolitano Armando de Holanda Cavalcanti, situado na região Nordeste do Brasil, cuja conservação esbarra no conflito entre residentes e gestores, alcançando resultados insignificantes. Analisam-se o processo de tombamento do Parque e os planos de ações elaborados em 2010 e 2018, com o objetivo de identificar como a participação dos entes relacionados ao bem patrimonial tem contribuído para a tomada de decisão. Para lograr êxito nos processos de conservação, há que se alinhar os discursos com as realidades locais e garantir a efetiva participação dos atores envolvidos.

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Biografia do Autor

Paulo José de Albuquerque Marques da Cunha, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Laboratório de Estudos Socioambientais, Garanhuns, PE, Brasil

Arquiteto e urbanista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em Gestão de Políticas Públicas pela Escola de Governo Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE). Vice-líder do grupo CNPq/UFPE (Laboratório de Estudos Periurbanos) e do grupo CNPq/IFPE (Laboratório de Estudos Socioambientais). Áreas de pesquisa: conservação urbana integrada, gestão de políticas públicas, planejamento territorial, patrimônio cultural, memória e identidade.

Tomás de Albuquerque Lapa, Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano, Recife, PE, Brasil

Arquiteto e urbanista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maîtrise Spécialiseé en Urbanisme pela Université Paris 8 (Vincenne) e doutor em Geografia pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Professor titular do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE e do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da mesma instituição. Líder do grupo de pesquisa CNPq/UFPE (Laboratório de Estudos Periurbanos). Áreas de pesquisa: conservação urbana integrada, desenvolvimento sustentável, patrimônio cultural, mobilidade urbana e conservação do patrimônio material e imaterial.

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Publicado

2021-04-08

Edição

Seção

Artigos - Cidade, História e Cultura