Dinâmica regional da indústria de transformação no Brasil (2000-2017)

Autores

  • Cássio Garcia Ribeiro Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0001-9290-0660
  • Soraia Aparecida Cardozo Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0001-5830-6879
  • Humberto Martins Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0003-4672-1594

DOI:

https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202120

Palavras-chave:

Indústria de transformação, Estrutura produtiva, Desenvolvimento regional

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a dinâmica regional da indústria de transformação no Brasil no período recente, por meio de um exame conjunto das alterações na estrutura produtiva e nas características desse setor nas cinco macrorregiões do Brasil (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul). Considerando o debate recente sobre a temática, são examinadas as mudanças ocorridas no que se refere à importância econômica e no perfil tecnológico da indústria de transformação em cada região. Os resultados indicam que dois fenômenos merecem destaque: i) o recuo da participação da indústria de transformação nas estruturas produtivas das regiões do país; ii) a continuidade da desconcentração regional da indústria de transformação, mas esse processo é lento e não modifica o perfil da divisão inter-regional do trabalho, marcada pelo predomínio do Sudeste nas atividades mais intensivas em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Busca-se avaliar o significado desses processos para o desenvolvimento econômico do Brasil.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cássio Garcia Ribeiro, Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, MG, Brasil

Graduado em Economia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp, 2001), com mestrado em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp, 2005), doutorado pelo mesmo programa e instituição (2009) e pós-doutorado no Instituto de Economia, também da Unicamp (2020). É professor do Instituto de Economia e Relações Internacionais (Ieri) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde atua na graduação e na pós-graduação em Economia.

Soraia Aparecida Cardozo, Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, MG, Brasil

Professora associada do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (Ieri/UFU). Economista graduada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre e doutora em Desenvolvimento Econômico pela mesma universidade, com pós-doutorado na School of Oriental and African Studies (SOAS), University of London.

Humberto Martins, Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, MG, Brasil

Professor titular do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (Ieri/UFU). Graduado em Ciências Econômicas pela UFU, mestre em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutor em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-doutorado pela University of Cambridge.

Referências

AZZONI, C. R. Indústria e reversão da polarização no Brasil. Ensaios Econômicos, São Paulo, IPE-USP, n. 58, 1986.

BENKO, G. Economia, espaço e globalização. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

BIELSCHOWSKY, R. Cinquenta anos do pensamento na Cepal – Uma resenha. In: BIELSCHOWSKY, R. Cinquenta anos do pensamento na Cepal. Rio de Janeiro: Record, 2000. v. 1.

BRESSER-PEREIRA, L. C.; MARCONI, N. Existe doença holandesa no Brasil? In: BRESSER-PEREIRA, L. C. (org.). Doença holandesa e indústria. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 2010.

CAIADO, S. C. Desconcentração industrial regional no Brasil (1985-1998): pausa ou retrocesso? 2002. Tese (Doutorado em Economia) – Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2002.

CANO, W. Novas determinações sobre as questões regional e urbana após 1980. Revista brasileira de estudos urbanos e regionais, v. 13, n. 1, p. 27-53, 2011.

CAVALCANTE, L. R. Classificações tecnológicas: uma sistematização. Nota técnica n. 17. Brasília, DF: Ipea, mar. 2014. p. 1-21.

CLARK, C. The conditions of economic progress. London: Macmillan, 1957.

CRUZ, B. de D.; SANTOS, Y. R. S. dos. Dinâmica do emprego industrial no Brasil entre 1990 e 2007: uma visão regional da desindustrialização. Boletim Regional, Urbano e Ambiental. Brasília, DF: Ipea, 2009. v. 2.

DE NEGRI, F.; CAVALCANTE, L. R. (org.) Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes. Brasília, DF: ABDI-Ipea, 2014.

DINIZ, C. C. Desenvolvimento poligonal no Brasil: nem desconcentração, nem contínua polarização. Nova Economia, v. 3, n. 1, p. 35-64, 1993.

DINIZ, C. C. Celso Furtado e o desenvolvimento regional. Nova econ., v. 19, n. 2, p. 227-249, 2009. Versão online.

DINIZ, C. C. Corrida científica e tecnológica e reestruturação produtiva: impactos geoeconômicos e geopolíticos. Revista brasileira de estudos urbanos e regionais, v. 21, n. 2, p. 241-257, maio-ago. 2019.

DINIZ, C. C.; MENDES, P. S. Tendências regionais da indústria brasileira no século XXI. Brasília, DF: Ipea, 2021. p. 7-45. (Texto para discussão, n. 2640).

FURTADO, C. Análise do “modelo” brasileiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.

FURTADO, C. Brasil: A construção interrompida. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

FURTADO, C. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 2009.

GÓIS-SOBRINHO, E. M. A localização e o grau inovativo das aglomerações industriais relevantes do Brasil. 2014. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Pesquisas Econômicas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

HATZICHRONOGLOU, T. Revision of the high-technology sector and product classification. OECD Science, Technology and Industry Working Papers, 1997. (Working paper, n. 1997/02).

HERRENDORF, B.; ROGERSON, R.; VALENTINYI, Á. Growth and structural transformation. In: AGHION, P.; DURLAUF, S. N. (ed.). Handbook of Economic Growth. Amsterdam: Elsevier B. V. 2014. p. 855-941.

HIRSCH-KREINSEN, H.; JACOBSON, D.; LAESTADIUS, S.; SMITH, K. Low-tech industries and the knowledge economy: State of the art and research challenges. Artigo do projeto Policy and Innovation in Low-Tech – Pilot, 2003. Disponível em: http://pilot-project.org/publications/sota2.pdf. Acesso em: 17 jul. 2019.

IBGE. Contas regionais do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, vários anos. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/9054-contas-regionais-do-brasil.html?. Acesso em: 14 set. 2019.

IBGE. Pesquisa Industrial Anual. Rio de Janeiro: IBGE, vários anos. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/industria/9042-pesquisa-industrial-anual.html?=&t=o-que-e. Acesso em: 13 jul. 2021.

IBGE. Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica – PINTEC. Rio de Janeiro: IBGE, vários anos. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/ciencia-tecnologia-e-inovacao/9141-pesquisa-de-inovacao.html?=&t=o-que-e. Acesso em: 13 jul. 2021.

OREIRO, J. L.; FEIJÓ, C. A. Desindustrialização: conceituação, causas, efeitos e o caso brasileiro. Revista de Economia Política, v. 30, n. 2, p. 219-232, 2010.

MONTEIRO NETO, A.; SILVA, R.; SEVERIAN, D. Região e indústria no Brasil: ainda a continuidade da “desconcentração concentrada”? Economia e Sociedade, v. 29, n. 2, 2020.

MORCEIRO, P. C.; GUILHOTO, J. M. Desindustrialização setorial e estagnação de longo prazo na manufatura brasileira. Nereus/USP, TD n. 1, 2019.

PALMA, G. Four sources of de-industrialization and a new concept of the Dutch disease”. In: OCAMPO, J. A. Beyond reforms, structural dynamics and macroeconomic vulnerability. Stanford: Stanford University Press, 2005. chap. 3, p. 71-116;

RIBEIRO, C. G.; INACIO JUNIOR, E.; LI, Y.; FURTADO, A.; GARDIM, N. The influence of user-supplier relationship on innovation dynamics of Oil & Gas industry. Technology Analysis & Strategic Management, v. 0, n. 0, p. 1-14, 2019.

RODRIK, D. Premature deindustrialization. Journal of Economic Growth, v. 21, n. 1, p. 1-33, 2016.

ROWTHORN, R. Manufacturing in the world economy. Economie Appliquée, t. L, n. 4, p. 63-96, 1997.

SAMPAIO, D. P. Desindustrialização e desenvolvimento regional no Brasil (1985-2015). In: MONTEIRO NETO, A.; CASTRO, C. N.; BRANDÃO, C. A. (org.). Desenvolvimento regional no Brasil: políticas, estratégias e perspectivas. Brasília, DF: Ipea, 2017.

TREGENNA, F. Characterising deindustrialisation: An analysis of changes in manufacturing employment and output internationally. Cambridge Journal of Economics, v. 33, issue 3, p. 433-466, 2009.

TREGENNA, F. Deindustrialization and premature deindustrialization. In: REINERT, E.; GHOSH, J.; KATTEL, R. (org.). Handbook of alternative theories of economic development. Cheltenham, UK: Edward Elgar Publishing, 2016.

VON TUNZELMANN, N.; ACHA, V. Innovation in “low-tech” industries. In: FAGERBERG, J.; MOWERY, D. C.; NELSON, R. R. (ed.). The Oxford Handbook of Innovation. Oxford: Oxford University Press, 2005. p. 407-432.

Publicado

2021-09-03

Edição

Seção

Artigos - Espaço, Economia e População